Paulo Roberto Gomes Fernandes contextualiza que o uso de drones em faixas de dutos deixou de ser uma curiosidade tecnológica e passou a ocupar um espaço prático na gestão de ativos, principalmente quando a operação exige vigilância frequente e resposta rápida a interferências externas. A realização de encontros técnicos dedicados ao tema, como o “Drone em Faixa de Dutos”, no Rio de Janeiro, reforça uma mudança de patamar: a discussão começa a se concentrar menos no equipamento em si e mais na metodologia de inspeção, na integração com dados e nas limitações regulatórias que ainda criam assimetrias no Brasil.
O que os drones resolvem, e o que ainda depende de método
Em faixas de dutos enterrados, drones costumam ser utilizados para acompanhamento visual de grandes extensões, identificação de ocupações irregulares, detecção de movimentações suspeitas e apoio à programação de manutenção, com foco em vegetação, erosão e acessos. O ganho inicial é simples de entender: ampliar alcance com menor tempo de deslocamento, reduzindo custos de inspeção e aumentando a frequência de verificação em trechos críticos.
Entretanto, drones não substituem critérios de engenharia. O voo gera imagem, mas a decisão depende de protocolos, periodicidade, padrões de registro e priorização de riscos. Na avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, o avanço real acontece quando o monitoramento passa a ter roteiros claros, categorias de anomalia e trilha de auditoria, permitindo comparar trechos ao longo do tempo e antecipar intervenções antes de o problema virar ocorrência operacional.
Integração com modelos construtivos, por que alguns sistemas “conversam” melhor com a vigilância aérea
A eficácia do drone aumenta quando a infraestrutura favorece a leitura visual e o acesso aos pontos de atenção. Em países com extensas malhas aparentes, a vigilância aérea se integra ao próprio conceito construtivo: o duto, os suportes e a faixa de servidão são planejados para serem observáveis e acessíveis, o que facilita identificar desalinhamentos, interferências e degradação de componentes com mais rapidez.
Ainda assim, a discussão não precisa ficar presa ao contraste “aparente versus enterrado”. Mesmo em dutos subterrâneos, a vigilância aérea pode ser estruturada para detectar sinais indiretos, como afundamentos, caminhos abertos, erosão e alterações de drenagem. Paulo Roberto Gomes Fernandes esclarece que o ponto-chave é desenhar o sistema de gestão de ativos para aproveitar o que o drone entrega melhor: visão ampla, repetição de rotas e registro padronizado de evidências, evitando o uso como ferramenta isolada e episódica.

Regulação, operação e o desenho de um mercado de serviços especializados
A expansão do uso de drones em infraestrutura passa por regras, autorizações, responsabilidades e padrões mínimos de operação. Quando não há diretrizes claras para certos modelos de inspeção e para a formalização de relatórios técnicos baseados em imagens, a adoção tende a ficar desigual, com iniciativas fragmentadas e pouca padronização entre projetos.
Por outro lado, a tecnologia pressiona uma mudança logística mais ampla. Monitoramento recorrente em faixa de dutos pode reduzir tempo de resposta a eventos e apoiar decisões de manutenção com menor dependência de inspeções presenciais em toda a extensão. Paulo Roberto Gomes Fernandes enfatiza que, quando a gestão se torna mais preventiva, os efeitos podem aparecer em indicadores como disponibilidade do sistema, redução de ocorrências e melhor planejamento de intervenções, com reflexos indiretos na logística nacional ao diminuir riscos associados a outras modalidades de transporte em certos corredores.
O debate que vai além do drone, governança, dados e visão de longo prazo
O tema se fortalece quando se trata de governança: quem voa, com qual periodicidade, quais dados são capturados, como são arquivados e como alimentam o planejamento de manutenção. Nessa lógica, a discussão sobre drones deixa de ser “ferramenta de vigilância” e passa a ser parte de uma arquitetura de inspeção, com integração a inventário de ativos, mapas de risco e rotinas de verificação.
Ainda assim, a evolução depende de escolhas técnicas e institucionais consistentes. A adoção responsável exige treinamento, padronização de relatórios e critérios de decisão que deem sentido às imagens capturadas. Paulo Roberto Gomes Fernandes pontua que o mérito de um evento dedicado ao tema está em acelerar esse alinhamento, transformando novidade em prática e prática em método, com ganhos de segurança, eficiência e previsibilidade para a infraestrutura dutoviária.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
