16 profissões devem crescer na indústria até 2035 com avanço da economia verde

Diego Velázquez
Diego Velázquez

Estudo aponta novas oportunidades profissionais ligadas à inteligência artificial, transição energética, sustentabilidade e redução das emissões no setor industrial brasileiro.

A indústria brasileira deverá passar por mudanças importantes no mercado de trabalho nos próximos anos. Um levantamento do Observatório Nacional da Indústria, ligado à Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta 16 perfis profissionais com potencial de ganhar espaço até 2035 diante das transformações tecnológicas e ambientais.

As novas ocupações estão relacionadas principalmente à transição para uma economia de baixo carbono. Empresas precisarão incorporar tecnologias capazes de reduzir emissões, melhorar o aproveitamento de recursos naturais e aumentar a eficiência dos processos produtivos.

Ao mesmo tempo, a digitalização das fábricas deverá ampliar a procura por trabalhadores que combinem conhecimentos técnicos, ambientais e digitais. Inteligência artificial, análise de dados e sistemas de monitoramento tendem a aparecer cada vez mais associados às estratégias de sustentabilidade das empresas.

Inteligência artificial e sustentabilidade abrem novas oportunidades

Entre os perfis identificados pelo levantamento estão profissionais especializados em inteligência artificial aplicada à sustentabilidade. A utilização da tecnologia pode ajudar empresas a analisar grandes volumes de dados, acompanhar consumo de energia e matérias-primas e identificar oportunidades para reduzir desperdícios.

Outra área apontada como promissora é a gestão da descarbonização corporativa. Com empresas estabelecendo metas para diminuir suas emissões de gases de efeito estufa, cresce a necessidade de profissionais capazes de desenvolver estratégias e acompanhar os resultados dessas iniciativas.

Também aparecem atividades relacionadas à análise de dados para sustentabilidade, gestão de riscos climáticos e rastreabilidade ambiental. São funções que devem ganhar importância conforme consumidores, investidores e governos aumentam a cobrança por informações sobre os impactos ambientais das cadeias produtivas.

Transição energética deve transformar mercado de trabalho

O avanço das fontes renováveis também deverá criar novas oportunidades. Profissionais especializados em armazenamento de energia e tecnologias associadas à transição energética estão entre aqueles que podem encontrar maior demanda dentro da indústria nos próximos anos.

O hidrogênio de baixo carbono é outro segmento destacado. O Brasil busca ampliar investimentos nessa cadeia devido ao potencial de produção de energia renovável e à possibilidade de utilização do combustível em atividades industriais que enfrentam maiores dificuldades para reduzir suas emissões.

A economia circular completa esse cenário de transformação. Em vez do modelo tradicional baseado em produzir, consumir e descartar, empresas procuram reaproveitar materiais, diminuir resíduos e prolongar a vida útil de produtos. Esse movimento deverá exigir profissionais especializados na reorganização de processos industriais e cadeias de fornecimento.

Formação profissional terá de acompanhar mudanças

As transformações também representam um desafio para a qualificação da mão de obra. O desenvolvimento de novas tecnologias exige atualização dos cursos técnicos e programas de capacitação para aproximar a formação profissional das necessidades das empresas.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) deverá utilizar tendências identificadas pelo setor para orientar a atualização e o desenvolvimento de programas de formação. A intenção é preparar trabalhadores para atividades que devem ganhar relevância conforme a indústria avança na digitalização e na transição para uma economia de baixo carbono.

Para quem pretende construir uma carreira industrial, o cenário indica que conhecimentos tradicionais continuarão importantes, mas deverão ser acompanhados por competências digitais e ambientais. Tecnologia, sustentabilidade e energia tendem a ficar cada vez mais conectadas dentro das fábricas.

Até 2035, portanto, a indústria brasileira poderá não apenas incorporar novas máquinas e fontes de energia, mas também transformar profundamente o perfil dos profissionais que procura. A capacidade de combinar tecnologia, eficiência produtiva e sustentabilidade deverá estar entre as competências mais valorizadas no mercado industrial.

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