Tecnologia

Uergs investe em tecnologia que potencializa a formação para Indústria 4.0

Após a entrega oficial no começo de julho, a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) conta com uma Bancada Smart 4.0, equipamento dotado de tecnologias que permitem o monitoramento de projetos industriais de qualquer lugar e em tempo real. Além de potencializar o ensino, a aquisição permitirá a expansão de ações de pesquisa e de extensão a partir das funcionalidades do aparelho. A bancada integra a infraestrutura do Projeto Estratégico Uergs 20+ e foi adquirida com recursos do Programa Avançar RS destinados a investimentos em inovação. O aporte foi de R$ 750 mil.

A Bancada Smart 4.0 é composta por quatro estações que representam um processo fabril e realizam atividades que envolvem desde o estoque de peças até a montagem e expedição de produtos. Tudo isso é controlado por meio de computação em nuvem, o que permite que o sistema que opera a bancada possa ser acessado remotamente e até mesmo pelo celular.

“As estações estão conectadas mecanicamente por uma questão didática, mas são totalmente separadas e vão se integrar na nuvem. Uma vez que está na nuvem, numa camada de internet, é possível ter acesso à estação a partir de uma cyber security, ou seja, uma segurança digital”, explica o coordenador do Laboratório de Automação da Uergs, João Alvarez Peixoto. “Pode-se, então, realizar o monitoramento por meio de um dispositivo, de um computador externo que esteja conectado à estação.”

De acordo com o professor, a possibilidade de acompanhamento do processo não só pelos operadores do sistema, mas também pelas pessoas que consomem esses produtos, é uma das vantagens da Indústria 4.0. “É a era da informação, que permite ao consumidor saber como seu pedido foi produzido e onde ele está, por exemplo”, destaca.

Para que operadores e consumidores tenham acesso a essas informações em tempo real, são necessários recursos de automação somados às tecnologias de informação.

Recurso multidisciplinar

A Bancada Smart 4.0 integra o Laboratório de Automação da Uergs e dispõe de recursos que são objeto de estudo desde os primeiros módulos até o final do curso de Engenharia de Controle e Automação.

“Nessa bancada, os alunos têm a oportunidade de visualizar um processo produtivo completo, embora simplificado com um grau de abstração. A partir da montagem desse produto, podem acessar equipamentos que são os mesmos que vão encontrar na indústria”, conta o coordenador do curso de Engenharia de Controle e Automação, André Soares. “Com isso, conseguem ter uma visão de tudo aquilo que aprenderam no curso.”

De acordo com Peixoto, além do ensino de Engenharia de Controle e Automação, o equipamento contribui com a formação em outras áreas abrangidas por diferentes cursos da Uergs.

“Há uma questão da troca de dados lógicos, e isso é feito via camada de rede. Tem também a cyber security, que não está definida nessa bancada, mas existe a possibilidade de se colocar. Então, tem toda uma área de conhecimento para ser estudada junto à Engenharia de Computação”, explica o docente.

Peixoto destaca também o curso de Engenharia de Energia. “Temos dispositivos específicos em cada uma das estações para monitorar corrente elétrica, tensão elétrica, potência demandada em cada um dos equipamentos. Essas informações são jogadas diretamente na nuvem para identificar o consumo elétrico, e isso envolve o curso de Engenharia de Energia”, afirma.

Segundo o professor, a bancada pode desenvolver produtos ligados a processos físico-químicos – o que envolve outras áreas, como a Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia. Além disso, conhecimentos das áreas da Administração e das Licenciaturas poderão ser demandados para a gestão da produção e para a capacitação de operadores.

A integração de diferentes áreas é uma das alavancas para a proposta de um curso de especialização que prevê o uso da bancada. “Queremos congregar isso dentro de uma especialização, para que depois possa pivotar pesquisas. E a pesquisa pode dar origem a um curso de mestrado e, quem sabe, de doutorado na área”, projeta Peixoto.

Contribuições para a pesquisa e a extensão

No campo da pesquisa, a intenção é criar um curso de pós-graduação ligado à área de manufatura avançada, que está relacionada à criação de produtos diversos dentro de um mesmo processo fabril. A concepção do curso de especialização é uma das ações previstas no Projeto Estratégico Uergs 20+.

Com relação à extensão universitária, Peixoto ressalta a possibilidade de prestação de serviços a empresas a partir da aquisição da Bancada 4.0. A intenção é que as indústrias realizem ensaios com a utilização do equipamento para que não precisem parar os processos de produção enquanto experimentam a prototipação de novos produtos.

“Isso quer dizer que o empresário não para a produção e vem ensaiar um modelo na Uergs. Aí fazemos um protótipo desse ensaio. Funcionou? O empresário replica na empresa”, explica o professor. “É algo muito importante, pois mexer num processo fabril é interferir na lucratividade da empresa, já que a fabricação é interrompida para que se possa realizar um ensaio. É nesse nicho que queremos entrar.”

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